Finanças Pessoais

Evangelização e Economia

Segundo o dicionário Aurélio, economia é a ciência que trata dos fenômenos relativos à produção, distribuição e consumo de bens. Portanto, a economia tem estreita relação com o mundo material. As pessoas, inclusive os cristãos, são afetados pelas decisões tomadas com respeito à administração dos bens materiais. Desde a criação do dinheiro como forma de troca, os bens materiais são representados pelo dinheiro que possuímos. Nesta reflexão, procuraremos abordar os efeitos da administração do dinheiro na evangelização e vice-versa.

O mundo material

A primeira evidência da importância das coisas materiais é o fato de que Deus, que é um ser espiritual (Jo 4.24) trouxe à existência o mundo material. Cinco vezes a narrativa da criação afirma que Deus a viu e a considerou boa (Gn 1.10, 12, 18, 21, 25). E ao completar a criação do homem, mais uma vez Deus declarou que tudo havia ficado muito bom (Gn 1.31). Por esta razão, é importante reconhecermos a bondade de Deus ao trazer a lume as coisas materiais. Elas são expressão do seu amor para com a humanidade. Os ascetas crêem na idéia de que a natureza física é má, mas a Bíblia não apoia esta concepção. Erickson nos diz que “para encontrar a salvação e a espiritualidade, não se deve fugir da esfera material nem evitá-la, mas santificá-la.”

O homem – administrador do dinheiro

Deus criou o homem à sua imagem e semelhança e em seguida declarou: “Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os grandes animais de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão” (Gn 1.26). Este domínio implica na grande responsabilidade de administrar o mundo criado por Deus. Para alguns teólogos a imagem de Deus no homem consistiria nesse algo que “fazemos”, ou seja, no exercício do domínio sobre a criação. Independentemente da relação com a imagem de Deus, o fato é que coube ao homem a administração do mundo material, e ela deve ser realizada da melhor maneira possível, conforme as diretrizes do Criador. Ao longo do tempo, as sociedades se formaram e estabeleceram regras específicas para a partilha dos bens materiais. As dificuldades inerentes às relações de troca levaram à criação do dinheiro, nas suas mais diversas formas. Hoje, as posses materiais são representadas pelo dinheiro que possuímos.

Efeitos do pecado sobre a administração do dinheiro

Com a quebra do relacionamento entre Deus e o homem proveniente do pecado, houve efeitos diretos no que diz respeito às relações do homem com o dinheiro, dentre os quais podemos citar:

Trabalho Árduo – Necessário para a obtenção do sustento material (Gn 3.17-19).

Egocentrismo – O homem se concentra em si próprio, em suas necessidades e desejos. Não há uma preocupação com Deus ou com seus semelhantes.

Cobiça – Passou a ser uma marca tão indelével na vida do homem, tanto que Deus reservou um dos dez mandamentos para tratar especificamente deste mal (Ex 20.17; Dt 5.21).

Avareza – Afeta parcial ou completamente nossa capacidade de dar, de exercer a generosidade. O apóstolo Paulo considerou a avareza uma espécie de idolatria (Cl 3.5).

Amor ao dinheiro – Paulo tece considerações bastante esclarecedoras, ao ponto de colocar o amor ao dinheiro como a razão de todos os males da humanidade. (1Tm 6.10)

O dinheiro com rival ao senhorio de Cristo no nível pessoal

Devido aos efeitos do pecado, a busca incessante pelo dinheiro exerce um senhorio efetivo sobre a vida das pessoas que não conhecem a Cristo e até mesmo daquelas que se dizem cristãos mas ainda tem suas vidas influenciadas preponderantemente pelo dinheiro. Essa rivalidade é evidenciada nas palavras de Jesus, quando declara: “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro” (Mt 6.24). A influência negativa do dinheiro é tão real que Jesus chega a declarar que “dificilmente um rico entrará no Reino dos céus.”(Mt 10.23), embora ele próprio reconheça que Deus poderia tornar a salvação de uma pessoa rica uma realidade. (Mt 10.26). A implicação é que, sempre teremos uma tensão constante do dinheiro pelo senhorio de nossas vidas. Portanto é inegável que, qualquer esforço evangelístico deve considerar os efeitos positivos e negativos da relação homem x dinheiro.

O influência do dinheiro na sociedade

Partindo do aspecto pessoal, é razoável entendermos que, num nível mais amplo, ou seja, de sociedade, a busca pelo dinheiro também norteia as ações das instituições no nível familiar, empresarial, governamental, etc. Portanto, muitas instituições não cristãs, por exemplo, utilizam-se do poder econômico para ampliar ações que nitidamente favorecem o desenvolvimento do mal na sociedade. Exemplos vívidos seriam as empresas que exploram o sexo, o fumo, o consumo de bebidas alcoólicas, entre outras. Os governos também podem ser vítimas do amor ao dinheiro, quando exercem uma tributação injusta sobre o povo ou quando elaboram esquemas de corrupção que levam ao uso indevido dos recursos arrecadados pelas estruturas estabelecidas ou mesmo paralelas. Até mesmo a igreja pode ser vitimada pelo dinheiro quando, por exemplo, elabora sistemas de evangelismo nitidamente ligados a um discurso de retorno financeiro para os que aderem à fé.

O aspecto positivo do dinheiro

Apesar de toda a influência negativa que o dinheiro possa exercer sobre as pessoas, é importante ressaltar que, quando usado corretamente, o dinheiro também pode canalizar benefícios às pessoas, à igreja e à sociedade. José, filho de Jacó, utilizou reservas materiais para alimentar todo o muno então conhecido nos anos de fome que se abateram sobre o Egito (Gn 45.7). A igreja primitiva usou o dinheiro para beneficiar os menos favorecidos materialmente, uma marca indelével de sua unidade (At 2.44-45). Até mesmo pessoas não cristãs utilizam-se do dinheiro para o benefício de outros. Schindler usou o dinheiro para salvar cerca de mil judeus do holocausto durante a Segunda Guerra.

O apóstolo Paulo exorta os ricos que “pratiquem o bem, sejam ricos em boas obras, generosos e prontos a repartir.”(1 Tm 6.18). E Jesus nos mostra como o uso correto do dinheiro pode nos trazer uma sensação de realização quando declara: ‘Há maior felicidade em dar do que em receber’ (At 20.35).

Concluindo

Deus criou o mundo material e o considerou bom em todos os seus aspectos. Hoje, os bens materiais são representados pelo dinheiro. Portanto não devemos adotar uma atitude negativa em relação à posse e uso do dinheiro, até porque cabe ao homem sua correta administração.

O pecado, no entanto teve efeitos danosos sobre o uso do dinheiro, de tal forma que ele tornou-se o grande rival pelo senhorio de Cristo na vida das pessoas.

O dinheiro pode ser usado tanto para o mal como para o bem. Ele pode ser um obstáculo à evangelização, mas também pode ser uma aliado para alcançar pessoas para um relacionamento com Deus. Consequentemente, qualquer esforço de evangelização deve considerar a influência do dinheiro na sociedade que se quer alcançar para que o resultado de seu trabalho seja bem sucedido.

FONTE: Paulo de Tarso

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