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Economizar – O elo perdido

Para aqueles que, como eu, estão na meia idade, não é difícil constatar que a prática de economizar era algo que fazia parte da geração dos nossos avós e até mesmo dos nossos pais. Quaisquer que fossem as quantias, a formação de reservas se constituía num caminho apropriado para se conseguir comprar bens necessários, assim como os desejados. De forma paulatina o sistema de crédito foi roubando nossa vitalidade financeira e o economizar tornou-se o elo perdido na construção de uma base sólida para a administração do dinheiro.

José, um exemplo a ser seguido.

Gosto de lembrar de José, filho de Jacó, utilizando a expressão “O Fator Zafenate-Panéia”. Para os que têm familiaridade com as narrativas bíblicas, José é um personagem bem conhecido. No entanto, no meu entender, José é um “case” de completo sucesso que vale a pena estudarmos profundamente.[1] O nome Zafenate-Panéia foi-lhe dado pelo faraó na ocasião em que José interpretou dois sonhos chaves que intrigavam o faraó e toda a sua corte. Segundo a interpretação dada por Deus a José, haveria sete anos de fartura no Egito, seguidos por outros sete anos de fome rigorosa. Deus, através do faraó, elevou José à posição de Primeiro Ministro do Egito, e responsável pelo plano de sustentação econômica pelos anos que se seguiriam. Durante os sete primeiros anos a terra produziu com muita fartura. José colocou em prática o plano de economizar vinte por cento de toda a produção egípcia, que segundo ele, serviria de reserva para que o Egito não fosse arrasado pelos anos vindouros de fome gravíssima.

Tempos de fartura e fome – um fenômeno que se repete

Embora o evento acima citado tenha sido único, pelo menos até onde conhecemos, o fato é que períodos de fartura e escassez acontecem com certa regularidade na vida de cada um de nós. Já conversei com várias pessoas que viveram períodos de mesa farta e muito dinheiro girando em sua conta corrente mas que agora passam por dificuldades financeiras que jamais poderiam imaginar viessem a ser uma realidade em suas vidas. Às vezes fico matutando porque os egípcios não colocaram em prática um plano semelhante ao de José, sendo assim, não teriam que perder tudo quanto possuíam quando vieram os tempos de fome. Será que não sabiam o que aconteceria com a terra, ou não foram diligentes em economizar para o futuro? Bom, não podemos mudar a história dos egípcios, mas certamente podemos aprender com José que necessidades futuras são supridas com decisões presentes.

Formando reservas

O ser humano é um ser complexo. Foi assim que Deus nos criou, por isso nem sempre é simples diagnosticar por que agimos desta ou daquela maneira. No entanto, na minha experiência, vejo que algumas coisas contribuem para nossa incapacidade de economizar: Falta de objetivos, indisciplina e crédito fácil. Um pouco antes de minha primeira filha completar nove anos, começamos a dar a ela uma mesada, e elaboramos seu primeiro orçamento, bem simplificado, que envolvia as áreas do dar, economizar e gastar, com valores financeiros estipulados para cada uma delas. Perguntei para ela o que ela gostaria de comprar no futuro, com suas economias: um tênis, determinou ela. Ao longo dos meses, notei que a clareza do que ela queria comprar a ajudava em muito no processo de economizar, de forma tal que até mesmo uma parte do dinheiro destinado aos gastos ela separava para que alcançasse mais rapidamente a quantia necessária para a compra do tênis. Quando economizamos, precisamos saber não apenas porque, mas também para que o estamos fazendo.

Para vencermos a indisciplina, uma dica é separarmos a quantia a economizar antes de começarmos a gastar. Isto pode ser feito através de um débito programado para reservas em sua conta corrente tão logo você receba o pagamento. Por último, faça um esforço para fugir do crédito fácil. Na minha experiência, os resultados são quase sempre penosos para quem toma emprestado. Além do mais, se você economizar de forma diligente, não necessitará contar com recursos de terceiros.

Concluindo

O sistema de crédito vigente contribuiu sensivelmente para tornar o economizar o elo perdido na construção de uma base sólida para a administração do dinheiro.

José nos deixou um exemplo de que economizar é uma diretriz segura para suprir necessidades futuras sem termos que contar com poupança de terceiros, pois tempos de abundância e escassez são fenômenos comuns nas finanças pessoais e corporativas.

Alvos claros e disciplina são fatores fundamentais no processo de formação de reservas, por isso estabeleça os alvos que necessita alcançar e empenhe-se no dia a dia para torná-los uma realidade, pois como declarou o escritor de Provérbios: “O homem de bom senso economiza e tem sempre bastante comida e dinheiro em sua casa; o tolo gasta todo o seu dinheiro assim que o recebe.” (Pv 21.20 – BV)

[1] Para uma visão completa da história de José, leia, na Bíblia, o livro de Gênesis, a partir do capítulo 37.

FONTE: Paulo de Tarso

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