Finanças Pessoais

Crédito – Amigo ou inimigo?

Estamos expostos a uma enxurrada de crédito. Há inúmeros comerciais oferecendo dinheiro. Somos parados na rua, em frente às lojas das financeiras; o crédito consignado é uma realidade; celebridades da televisão, cinema e esportes nos convidam a pegar dinheiro fácil e, em praticamente todas as lojas a opção mais comum é esticar o pagamento para as chamadas “suaves prestações mensais”.

Herança dos Pais?

Ainda outro dia eu estava em uma empresa, antes de iniciar uma palestra e o diretor comentou que havia ouvido em um programa de rádio o quanto as pessoas, mesmo aquelas com alto grau de instrução são suscetíveis ao consumo exagerado, o que acaba gerando desequilíbrio financeiro pessoal ou familiar. Bem, por experiência posso dizer que isso é verdadeiro. E isto porque, mesmo pessoas com bom grau de instrução, em geral, não foram educadas para lidar com o dinheiro. Como já falamos repetidas vezes, educação financeira não faz parte dos currículos escolares. Conseqüentemente restaria contar com a orientação dos pais. Mas infelizmente, os pais em geral, como também não foram educados para administrar o dinheiro, acabam, cedo, transferindo aos filhos esta falta de educação e problema vai se arrastando geração após geração num círculo vicioso, quase sem fim. Mimamos nossos filhos com coisas que eles não necessitam e não ensinamos os princípios básicos para o progresso financeiro, tais como poupar, investir, gastar com sabedoria e dar com generosidade.

Crédito em abundância

Lembro-me muito bem quando ainda era funcionário e estava me preparando para montar meu próprio negócio. Participei de um seminário para empreendedores e lá ouvi um relato interessante a respeito da história dos empreendedores. No início, pensava-se que o problema crucial para os empreendedores era crédito. Então abriu-se linhas de crédito para abastecer as empresas. O resultado foi pífio. Hoje, da mesma forma, verificamos que, se problema das pessoas pudesse ser resolvido com crédito, todos estariam muito bem, pois não falta crédito, como já falamos anteriormente. Infelizmente, o resultado prático do crédito em abundância é justamente o contrário do desejável, pois as pessoas e famílias continuam endividadas, pagando juros altíssimos e vendo os relacionamentos irem por água abaixo. O governo, que deveria agir com sabedoria, é levado pela mesma armadilha. Viabilizou o chamado crédito consignado e o nível de endividamento das pessoas só aumentou. O que adianta crédito sem educação? Não adianta termos dinheiro se não sabemos como administrá-lo corretamente, ou, como diria o rei Salomão: “Dinheiro na mão de um homem sem juízo não vale nada, porque ele não é capaz de usar a riqueza para conseguir o que é importante, a sabedoria.”

Ganhando ou pagando juros?

Estamos proibidos de usar o crédito? Creio que não. Nem mesmo a Bíblia faz esta proibição. Estamos em tempo de novas sete maravilhas do mundo. Isto me lembra que o Barão de Rotschild, ao ser perguntado se conhecia as sete maravilhas do mundo antigo, teria respondido: Não, mas conheço a oitava: os juros acumulados. A questão é: estamos usando esses juros a nosso favor ou contra nós? Quando conseguimos separar dinheiro e investir, ganhamos juros. Isso é bom, nos fazer progredir financeiramente. É o que deveríamos fazer sempre, durante toda a nossa vida e ensinarmos nossos filhos a fazer o mesmo. Mas, em geral, quando compramos a prazo, pagamos juros, e assim empobrecemos. Não é sem razão que os bancos e emprestadores de dinheiro estão sempre batendo recordes de lucros enquanto as pessoas e famílias se afundam cada vez mais no endividamento. Não estamos fazendo nosso dever de casa. Você pode até usar o crédito disponível no mercado dentro de certos limites com bastante equilíbrio. Mas se quiser minha opinião pessoal, gostaria de estimular você a ganhar juros ao invés de pagar juros. Isto é possível e o ajudará a estar mais próximo do equilíbrio e sucesso financeiro.

Sucesso!

 

Fonte: Paulo de Tarso

 

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